No mercado jurídico brasileiro, a excelência técnica é o piso, não o teto. Profissionais que chegam às etapas finais de um processo seletivo em bancas relevantes quase sempre atendem aos requisitos formais: formação sólida, experiência compatível, domínio das áreas de atuação exigidas. E ainda assim, contratações bem-intencionadas fracassam com uma frequência que o setor ainda reluta em admitir.
O motivo raramente está no currículo. Está naquilo que o currículo não consegue revelar.
Quando a contratação certa produz o resultado errado
É comum que gestores de bancas descrevam o fenômeno da mesma forma: o profissional entregava bem nas suas funções anteriores, tinha passagem por escritórios respeitados, domínio técnico inegável, e mesmo assim não funcionou. O desempenho ficou abaixo, a integração nunca aconteceu de fato, e a saída veio antes do esperado.
O que ocorre nesses casos não é incompetência. É desalinhamento. O profissional pode ser excelente no contexto errado.
Bancas com culturas muito distintas, uma boutique de consultivo intensivo, um departamento jurídico de conglomerado, uma full-service em crescimento acelerado, demandam perfis comportamentais igualmente distintos. Um advogado construído em ambientes de alta autonomia pode se perder em estruturas hierárquicas rígidas. Um profissional acostumado a processos muito definidos pode ter dificuldade genuína em ambientes que exigem protagonismo e tolerância à ambiguidade. Nenhum dos dois está errado. Estão fora do lugar certo.
O que a aderência cultural realmente significa
Falar em cultura organizacional no direito ainda provoca certo ceticismo. O mercado jurídico tem uma relação historicamente técnica com a gestão de pessoas, a cultura, quando mencionada, tende a ser tratada como elemento subjetivo demais para entrar em um processo seletivo sério.
Esse é precisamente o erro.
Aderência cultural não é questão de simpatia ou fit pessoal entre o candidato e os sócios. É a capacidade de um profissional operar com eficiência real dentro de um determinado contexto, de entender os códigos não escritos da banca, de se relacionar com a estrutura de decisão existente, de absorver o ritmo e as prioridades que definem aquele ambiente.
Em termos práticos, isso se traduz em perguntas que raramente aparecem nos processos seletivos mais convencionais: Como esse profissional se comporta quando não há uma estrutura clara definindo o que fazer? Qual é a sua relação com feedback hierárquico? Como ele conduz o relacionamento com clientes quando tem autonomia para isso? O que o motiva além da progressão remuneratória?
Essas respostas dizem mais sobre o sucesso da contratação do que a lista de clientes atendidos ou o número de operações em que o candidato participou.
O custo silencioso do desalinhamento
Uma contratação mal calibrada no mercado jurídico tem um custo que vai muito além do óbvio. Há o período de adaptação que se estende além do razoável, consumindo tempo de sócios e gestores que precisariam estar em outras frentes. Há o impacto na equipe existente, times jurídicos bem estruturados são ecossistemas delicados, e uma entrada dissonante afeta dinâmicas que levaram tempo para se construir. Há a perda de oportunidade de ter contratado o profissional certo enquanto o processo era reiniciado.
E há, talvez o mais difícil de mensurar, o impacto na percepção que os melhores profissionais do mercado têm da banca. Escritórios que passam pela experiência de contratações que não funcionam repetidamente começam a desenvolver uma reputação silenciosa de instabilidade, e os profissionais mais disputados, que têm opções, tendem a evitá-los.
Como reequilibrar o processo
Isso não significa que o currículo deixa de importar. Significa que ele precisa ocupar o espaço correto dentro de um processo bem estruturado, o de filtro inicial, e não de critério definitivo.
Bancas que constroem processos seletivos mais maduros tendem a separar explicitamente as etapas técnicas das etapas de mapeamento cultural. Investem em conversas estruturadas, não necessariamente com metodologias complexas, mas com perguntas que exigem que o candidato revele como pensa, como decide e como se comporta sob pressão. Incluem outros membros da equipe além dos sócios tomadores de decisão. E, fundamentalmente, sabem descrever com precisão o que é a cultura daquele ambiente antes de avaliar se alguém se encaixa nela.
Uma banca que não consegue articular sua própria cultura terá sempre dificuldade de contratar para ela.
O papel do intermediário especializado
Parte do problema está no fato de que a maioria dos processos seletivos no mercado jurídico ainda é conduzida de forma informal, por indicação ou por contato direto, o que tende a privilegiar candidatos já conhecidos e a reproduzir os mesmos perfis, independentemente de serem os mais adequados.
A atuação de uma consultoria especializada no mercado jurídico muda essa equação. Não porque substitua o julgamento da banca, mas porque introduz uma camada de leitura que o processo interno raramente consegue oferecer: o mapeamento do candidato em relação ao contexto específico daquele escritório, e não apenas em relação às suas qualificações abstratas.
A questão central de uma boa contratação nunca é “esse é um bom profissional?”. É “esse é o profissional certo para esse lugar, nesse momento?”.
São perguntas diferentes. E a diferença entre elas é onde a maioria dos erros acontece.
A Santivo atua exclusivamente no mercado jurídico, conectando bancas e departamentos jurídicos aos profissionais com o perfil técnico e cultural mais aderente a cada contexto. Entre em contato para entender como conduzimos esse processo.