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20 / 04 / 26

Para escritórios de advocacia, 2026 carrega um significado ainda mais urgente: em maio, começa a valer a fiscalização da nova NR-1, que obriga empresas a mapear e gerenciar riscos psicossociais no trabalho.

O dado que antecede essa mudança é alarmante: o Brasil ultrapassou a marca de 500 mil trabalhadores afastados por transtornos mentais em um único ano, com um impacto estimado em 1,6% do PIB. No setor jurídico, o cenário é ainda mais crítico.

Neste artigo, você vai entender o que muda com a nova regulamentação, por que a advocacia está no centro desse debate e, principalmente, como seu escritório pode se antecipar para a mudança. Continue a leitura.

O retrato da exaustão: por que a advocacia é tão afetada

A advocacia brasileira vive uma contradição. De um lado, profissionais altamente qualificados, com capacidade intelectual para lidar com problemas complexos. De outro, um ambiente de trabalho que, historicamente, normalizou a exaustão.

Pesquisa recente revelou que 4 em cada 5 advogados já apresentaram sintomas de burnout, e 79,8% dos profissionais jurídicos relataram ter vivenciado a condição no último ano.

O índice geral de burnout no mercado de trabalho gira em torno de 44%. Na advocacia, esse número praticamente dobra.

Os fatores são conhecidos de quem vive a rotina forense:

  • Jornadas superiores a 10 ou 12 horas diárias, com trabalho contínuo aos finais de semana;
  • Pressão por metas e billable hours, que transformam o tempo do advogado em mercadoria;
  • Hipervigilância constante gerada por notificações e prazos do PJe, que eliminam a fronteira entre vida pessoal e profissional;
  • Contato frequente com conflitos emocionais profundos, especialmente em varas de família, criminal e trabalhista.

O que a NR-1 muda em 2026?

A nova versão da Norma Regulamentadora nº 1, que deveria entrar em vigor em maio de 2025, foi adiada para 2026 após forte pressão do setor empresarial.

A partir de maio deste ano, a fiscalização efetiva começa, e as empresas precisarão comprovar que estão identificando e gerenciando riscos psicossociais no ambiente de trabalho.

Na prática, isso significa que escritórios de advocacia, como qualquer outra empresa, precisam comprovar que estão identificando e mitigando fatores como:

  • Jornadas excessivas e metas irreais
  • Assédio moral e organizacional
  • Falta de autonomia sobre o próprio trabalho
  • Comunicação falha e liderança tóxica
  • Exigência de disponibilidade total 24/7

O descumprimento da norma pode e será usado como fundamento em ações trabalhistas.

Qual é o custo do descaso com a NR-1?

Os dados recentes não deixam margem para dúvidas. De acordo com levantamento do escritório Trench Rossi Watanabe, as ações trabalhistas por burnout cresceram 14,5% no primeiro semestre de 2025 em comparação com o mesmo período do ano anterior.

Foram 5.248 novos processos até abril, acumulando um passivo estimado de R$ 3,75 bilhões, com valor médio por ação girando em torno de R$ 368,9 mil.

O crescimento é ainda mais impressionante quando olhamos para a série histórica: em 2024, foram 16.670 novas ações sobre burnout, quase 22 vezes mais do que há dez anos, em 2014, quando a síndrome ainda não era tratada como doença ocupacional.

O que seu escritório pode fazer agora

Diante desse cenário, a prevenção deixou de ser opcional. Escritórios que desejam mitigar riscos jurídicos e financeiros precisam adotar uma abordagem proativa e estruturada.

1. Redução de riscos trabalhistas

Mapear riscos psicossociais e implementar medidas preventivas é a melhor defesa contra futuras ações judiciais.

Quando um ex-funcionário processa o escritório alegando danos à saúde mental, a existência de políticas claras e programas de gestão de riscos pode fazer a diferença na argumentação jurídica.

2. Retenção de talentos

O custo do turnover na advocacia vai muito além do recrutamento.

Cada profissional que pede as contas leva consigo conhecimento acumulado, relacionamento com clientes e anos de investimento em capacitação.

Ambientes que ignoram a saúde mental perdem os melhores profissionais, justamente aqueles que têm mais opções no mercado.

3. Produtividade sustentável

Advogados exaustos produzem peças com erros, perdem prazos e tomam decisões piores. A lógica do “desempenho a qualquer custo” é, na verdade, uma fórmula para o declínio de longo prazo.

Por onde começar?

A implementação da NR-1 não precisa ser um processo difícil. Escritórios de todos os portes podem começar com medidas relativamente simples:

  • Diagnóstico inicial: identifique os principais fatores de estresse na rotina do escritório com pesquisas anônimas, grupos focais ou entrevistas em diferentes níveis hierárquicos;
  • Capacitação de lideranças: treinar sócios e coordenadores para identificar sinais de sofrimento na equipe;
  • Políticas claras de desconexão: estabelecer limites para comunicação fora do expediente, mesmo em um ambiente que lida com urgências.
  • Canais de acolhimento: criar espaços seguros onde colaboradores possam relatar situações de assédio, sobrecarga ou sofrimento sem medo de retaliação.

Como a Santivo pode ajudar

O adoecimento começa muito antes da sobrecarga de funções, começa quando um profissional está inserido em um ambiente que não combina com seus valores, seu ritmo, sua forma de trabalhar. Começa quando há desalinhamento cultural

É por isso que, na Santivo, acreditamos que a prevenção começa na porta de entrada.

Nosso trabalho não é apenas encontrar profissionais com as competências técnicas que seu escritório precisa. É identificar se aquele profissional compartilha os valores, o ritmo e o estilo de comunicação da sua equipe.

A nova NR-1 escancarou uma verdade que já deveria ser óbvia: cuidar da saúde mental não é pauta de RH, é estratégia de negócio. E tudo começa com as pessoas certas, nos lugares certos.

Seu escritório está preparado para as novas exigências? Ou vai descobrir na primeira fiscalização que faltava alguém no time para cuidar disso? Entre em contato.